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Alimentação
16/08/2016 Sal: será que você não está consumindo mais que o necessário?

Ao sentar à mesa, em casa ou no restaurante, você procura imediatamente o sal para colocar no seu prato? E quando prepara sua própria comida, o sal é um ingrediente indispensável? Se as respostas para estas perguntas são sim, cuidado! Como o sódio, mineral presente no sal de cozinha, pode ser prejudicial se consumido em excesso, talvez esteja na hora de você mudar de hábitos.

Sal: será que você não está consumindo mais que o necessário?


Foi o que fez a pensionista Maria Virginia Pires, de 74 anos. Devido a alterações de pressão, o médico recomendou que ela diminuísse o consumo de sal. “No início foi bem difícil, mas com o tempo me acostumei e hoje não sinto falta. Ao contrário, percebo que com menos sal sinto mais o sabor da comida”, conta.

A mudança de hábito ocorreu há mais de 15 anos e se manteve mesmo com a pressão controlada. “O médico me disse, e ainda me diz, que, mesmo com a pressão controlada, nem eu nem ninguém deve consumir sal em excesso”, diz.

Os riscos do consumo exagerado


A elevação da pressão que fez com que Maria Virgínia mudasse seus hábitos é mesmo o principal problema que o excesso de consumo de sal pode causar. A pressão se eleva por vários motivos, mas, principalmente, quando as artérias perdem a capacidade de contrair e dilatar, fazendo com que o coração tenha que exercer um esforço maior do que o normal para fazer com que o sangue seja distribuído corretamente no corpo.

Mas não é este o único risco. O consumo exagerado do sal está relacionado ao aumento no risco de Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNTs), como a hipertensão arterial e também doenças cardiovasculares e doenças renais. As DCNTs são responsáveis por 63% dos óbitos no mundo e 72% dos óbitos no Brasil. Um terço destas mortes ocorre em pessoas com idade inferior a 60 anos.

Os números são preocupantes, e ainda mais preocupante é o fato de o consumo de sódio da população brasileira exceder em mais de duas vezes o limite máximo recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O brasileiro consome diariamente uma média de 12 gramas de sal nas refeições. O consumo recomendado pela OMS é de no máximo 5 gramas por dia.

Muito além do saleiro

Os alimentos processados, fabricados essencialmente com a adição de sal ou açúcar ou outra substância de uso culinário, assim como os ultraprocessados, feitos em geral por indústrias de grande porte, que envolve diversas etapas e técnicas de processamento e muitos ingredientes, incluindo o sal, são os que contêm maior quantidade de sódio e conservantes. Entre eles podemos listar os embutidos, laticínios e defumados.

A recomendação, portanto, é priorizar os alimentos naturais e evitar acrescentar sal na comida pronta. Afinal, mesmo que o sódio possa ser consumido em diversas formulações, sua forma de consumo mais tradicional é o cloreto de sódio (sal de cozinha).

Maria Virginia vai além e recomenda a redução do sal no preparo da comida. “Eu não tinha o hábito de acrescentar sal na comida depois de pronta, exceto na salada. Tomate, por exemplo, eu partia e comia puro, com sal. Mas usava muito no preparo. Isso eu tive que mudar. Passei a usar outros temperos e me sinto bem melhor agora”, garante.

Outros temperos

É justamente esta a recomendação do Guia Alimentar para a População Brasileira, lançado pelo Ministério da Saúde em 2014. Uma das dicas do guia é diminuir quantidade de sal no preparo do feijão não utilizando carnes salgadas no cozimento e aumentando a quantidade de cebola, alho, louro, salsinha, cebolinha, pimenta, coentro e outros temperos naturais.

Outra sugestão, e aí voltamos ao início do texto, é não deixar saleiro à disposição na mesa e não utilizar temperos e caldos industrializados. O uso de ervas frescas ou secas, assim como pimenta e gergelim também ajudam na redução do uso do sal e ainda aumentam o sabor da comida.

Os benefícios, acredite, valem o esforço. O Ministério da Saúde (MS) estima que se o consumo de sódio for reduzido para a recomendação diária da OMS, por exemplo, os óbitos por acidentes vasculares cerebrais podem diminuir em 15%, e as mortes por infarto em 10%.

Menos sódio em produtos processados

Em quatro anos de funcionamento, o acordo entre o Ministério da Saúde e a Associação das Indústrias da Alimentação (Abia) possibilitou a retirada de 14.893 toneladas de sódio dos produtos alimentícios. A meta é que, até 2020, as indústrias do setor promovam a retirada voluntária de 28.562 toneladas de sal do mercado brasileiro. Os dados são resultados das três primeiras fases do acordo, que foi iniciado em abril de 2011. Leia mais sobre o acordo aqui!

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